quinta-feira, 29 de julho de 2010

O palco de Deus


Aqui estou.

Aqui está o homem.

O homem...

Forte, seguro, soberano... soberbo.


O ar pesado dificulta a respiração.

As núvens dão um tom cinza, melancólico à cena.

O céu parece se esvaziar de suas cores,

e mergulhar em uma estática palidez.


O que faço eu aqui?

Olho ao meu redor...

Gente. Homens. Mulheres.


O cheiro de morte se espalha no ar.

Mortos.

Estamos todos mortos.


Os rostos, assim como a imensidão celeste,

perdem de cor.

Petrificada palidez.


A platéia assiste atenta.

Os que gozavam da tórrida cena, agora estão sérios.

Uns choram a perda do amigo,

outros... indiferentes.


O que fizeram?

O que fizemos?


Sinto o chão duro de pedregulhos que me fere os pés.

Estranho.

Tantas vezes passei por este lugar e nunca me senti assim.

Sou mais humano.


Do meio dos espectadores uma mulher se movimenta.

Seu rosto, paradoxal.

Transpassa a calma e o amor do abandono abismal.

Se move em direção à cruz. Se ajoelha.


Sinto compaixão.

Enquanto me aproximo sinto o pulsar acelerado de meu coração.

Me ajoelho a seu lado.

Obrigado!!!”


O tempo pára.

Bem na minha frente, sinto a cruz: dura.

Pela primeira vez tenho a coragem de olhar para cima.

Vejo a Criatura...



Guilherme Bima, 31/01/2010

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